Se eu não tivesse fugido, fingindo dor cabeça, daquele compromisso chato, eu não tinha te esbarrado naquele bar e você não fingiria um orgasmo depois. E nada disso terminaria como terminou.
Seriam menos 322 reais na fatura do meu cartão, menos uma passagem de volta de São Paulo (eu tinha ido pra não voltar), menos três multas de trânsito enquanto eu discutia com você no celular.
Também não teria essa cicatriz na mão, da porta de vidro que eu quebrei pra não quebrar sua cara.
Se eu não tivesse te conhecido, agora estaria madrugada suja adentro, cantando jovenzinhas perdidas no início da vida já em fim de carreira, entoando alguma moda popular antiga com cheiro de cigarros e colônia barata. Isso ao invés de estar há três horas ao lado desse telefone esperando que o maldito toque e do outro lado seja sua voz.
Sempre tive pavor de telefonema. Acho a coisa mais desnecessária no mundo. Mas nunca quis tanto nada na minha vida, quanto quero que esse telefone toque agora. Nem que seja pra ouvir outro desaforo seu, berrando bêbada de qualquer inferninho desses que você frequenta, xingando que eu fui só um desengano e que vai abrir as pernas pro primeiro imbecil que te oferecer uma carona. Eu sei que vai abrir, mas quando apagar a luz é meu nome que você vai gritar. E quando tiver forças pra ir pra casa, vai sentar-se ao lado do telefone e esperar que eu ligue. Mas eu não ligo, você sabe como eu detesto falar ao telefone.
Se eu não tivesse te conhecido, não tinha me conhecido também.
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