26 de agosto de 2014
Meia Carta de Amor
Eu fui um otário. É mais fácil que parece cair no conto do vigário.
Você nunca acha que vai se desfazer por amor. É clichê. Eu já vi. Esse filme eu conheço.
Mas é só encarar um par de olhos cintilantes que malandro vira do avesso.
E se desfaz mesmo.
Eu me desfiz. Pode rir, eu não ligo.
Melhor que gente que perde a vida olhando só
pro próprio umbigo. Pobre do narciso.
Mas, amigo, escute o que eu digo:
Acaba.
Mais rápido do que promessa de boteco.
E quando acaba você se arrepende de tudo, desde o começo.
Daquele maldito tropeço que você deu da esquina e terminou
num esbarrão derrubando os livros da menina.
Ela não era daqui, era de uma cidade de mar
que o nome exato eu nunca consigo lembrar.
Fiquei louco. Paixão é pra isso. Rasgava promessas de amor
madrugada adentro enquanto a apresentava pra boemia.
Foi assim por algum tempo, de noite e de dia a gente bebia e se amava.
Mas nada dura, a vida é assim, então domingo de manhã ela virou pra mim:
'Preciso voltar, te escrevo de lá, não me espere acordado, eu devo demorar'
E partiu de trem. Nunca mais voltou. Nem noticias deu. Nem meia carta de amor. Nem sequer de rancor.
Nada.
Agora eu me afogo em copos, meio arrependido e meio aliviado:
não sei estou perdido ou se eu fui salvo.
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